[Review] Batman: Arkhan City


Por Bruno Cozzeti

Bem, primeiro tenho que dizer que não sou assim MUITO fã do primeiro jogo da série Arkham. Achei que ele “perde o gás” no ato final e que alguns elementos do level design eram um tanto quanto simplórios… É um bom jogo, até mesmo muito bom, apenas não o achei tão incrível quanto 90% da população mundial alardeou por ai.

Dito isso, MEL DELS Arkham City é um dos melhores jogos dessa geração!
Embora agora haja um mapa grande e aberto eu não considero Arkham City um jogo Open World. Há certos elementos desse estilo de jogo como missões secundárias e zilhões de collectables para se apanhar, mas a progressão do jogo é totalmente linear e focada, bem como o “grosso” das missões que se realizam dentro de edifícios fechados, ou seja, funciona mais ou menos da mesma forma que o primeiro Arkham (onde a ilha funcionava mais como um HUB que conectava os diferentes “mapas”) só que numa escala bem maior.

Ao mesmo tempo tenho que dizer que esse “mundo aberto” é o maior ponto negativo de Arkham City – Os poucos objetivos que se passam no mapa da cidade carecem de um melhor senso de direção e foco, muitas vezes você se encontra perdido, bem como a cidade em si é um tanto monótona se você excluir os desafios do Charada (explicarei eles mais à frente). Muitas vezes eu desejei que houvesse um botão de fast travel para “pular” essas partes da cidade e ir direto para as (inúmeras) partes excelentes do jogo. Enfim, não é assim algo que incomode tanto, mas achei que a inserção de um overworld maior, que serve para pouca coisa, prejudica um tanto o pacote final.

Outro ponto “menos boom” é o enredo, que começa MUITO lento e se arrasta durante muito tempo até pegar no tranco. Para além disso, notei que a história como um todo sofre de uma certa falta de foco. Há (mais ou menos) três enredos separados (Hugo Strange e seus objetivos nefastos com Arkham City, a guerra urbana entre o Pinguim e o Coringa, e o Coringa lutando contra sua infecção causada pelo abuso da fórmula Titan no jogo anterior) que que se entrelaçam no fim da jornada.

O problema é que a co-existência de tantos enredos (todos eles com histórias secundárias próprias) nem sempre é pacífica ou benéfica para todos os três, o enredo do Strange é jogado para escanteio durante quase todo o jogo, e o desfecho desta parte pareceu um tanto forçado. A guerra urbana toma a maior parte do tempo de jogo e parece que o objetivo da Rocksteady em contar essa história e a criação dos outros dois enredos foi apenas uma desculpa para poder utilizar este cenário. Quanto ao enredo do Coringa, ele sempre “paira pelo ar” durante o game para no final tomar primazia sobre todos os outros e entregar uma conclusão que achei PERFEITA para o personagem e um “estudo de caráter” sobre o Coringa equiparável a “Piada Mortal” do Alan Moore.

Outro problema relativo ao enredo é que ele aparenta se perder na necessidade de fazer um baita “fan service” em relação ao número de aparições de vilões clássicos do Batman. Enquanto que no 1º jogo isso é um ponto que achei super positivo, já que todos os vilões que aparecerem possuíam objetivo claros na história (ok, salvo o Zsass, que realmente passou a sensação de ser um capanga pé-de-chinelo vagaba), no 2º jogo são apresentados dezenas de vilões que, na sua grande maioria, não recebem muita atenção e terminam sendo pouco mais que coadjuvantes glorificados, sendo que a aparição de um vilão específico (que não posso dizer quem é porque seria um spoiler gigantesco) quase que me ofende com a “forçassão de barra” que fizeram. Ainda assim, as aparições daqueles vilões onde a devida atenção lhes foi despendida foram muito boas e tivemos algumas das melhores caracterizações que já vi.
Pessoalmente, acho que a estrela desse jogo foi o Pinguim, que transmite mesmo uma imagem impiedosa e de poder, e até mesmo o Zsass foi redimido com a sua side mission muito bem realizada. Só é pena que nem todos os personagens tenham tido esse cuidado todo =/

Enfim, fora com o desagradável! Agora vamos falar um pouco sobre os pontos positivos e que me agradaram muito.

O gameplay está muito melhor, incluindo aí a movimentação do Batman que, embora ainda um tanto robótica e parecendo um daqueles bonecos de 4 articulações do Falcon, está mais fluida e graças a um melhor trabalho de câmera não atrapalha tanto quanto antes. Também a capacidade de planar pela cidade foi muito bem implementada, com controles excelentes e que tornam a experiência muito divertida e agradável, de fato é aí que o mapa aberto “brilha” já que ficar voando pela cidade é uma das experiências mais agradáveis do jogo todo).
O sistema de combate é muito original na sua abordagem de “simplificação inteligente”, os comandos são minimalistas, mas o verdadeiro cerne do combate encontra-se no fato de que cada embate é uma espécie de mini-puzzle (PRINCIPALMENTE os desafios extra-campanha).
O combate consegue passar uma idéia de “coreografia de violência”, ainda mais com os ajustes que fizeram em Arkham City, agora há uma variedade maior de inimigos que requerem diferentes abordagens.

E claro, não podia deixar de mencionar os já consagrados “gadgets” do Batman, que num golpe de mestre digno de fazer Samus Aran ter inveja, parte do inicio do jogo com todos os brinquedinhos conseguidos no Asilo, assim como seus respectivos upgrades. Com isso, todos os aparelhos novos são REALMENTE novos, evitando aquela sensação de “dèja vu”. Além disso, a utilização destes gadgets no mundo do jogo foi feita de uma maneira mais criativa, principalmente os puzzles envolvendo o batrangue por controle remoto.

Ainda assim o ponto alto deste jogo (e até mesmo da série) são os desafios do Charada. Considero essa abordagem em relação a collectables por parte da Rocksteady a MELHOR IMPLEMENTAÇÃO DE COLLECTABLES em qualquer videogames na história da humanidade! No jogo você é constantemente encorajado (e recompensado) a pegar mais e mais collectables, que não só se resumem a simples troféus, mas também a enigmas com o cenário que realmente fazem valer e legitimar o (excelente) trabalho artístico ao colocar centenas de easter eggs em cada cenário e te pedir para “utilizar a cabeça” para os descobrir.

E mesmo os troféus não estão tão somente lá para serem encontrados, mas muitos deles estão presos em gaiolas que exigem que você encontre maneiras de as abrir, e estas maneiras podem ser “encontre todos os botões adjacentes àquela gaiola” ou também a resolução de vários mini-puzzles, alguns podem solicitar a utilização de gadgets, outros podem exigir uma rápida navegação pelo cenário, bem como há aqueles que pedem a ativação de certos mecanismos em uma ordem específica, tem para todos os gostos, mesmo os mais exigentes.

Melhor ainda, para eliminar a frustração inerente de vasculhar cada centímetro do mapa em busca desses collectables, o jogo te dá uma colher de chá ao introduzir certos capangas que trabalham secretamente para o Charada e, uma vez identificados e interrogados, revelam a localização de um punhado de collectables (claro, solucionar o enigma de cada um deles ainda é trabalho seu) e, melhor ainda, esses capangas aparecem de maneira orgânica ao desenrolar do jogo e não são em si mesmos um “conteúdo escondido”. Dessa forma os collectables deixam de ser uma jornada frustrante e demorada pelo mapa de jogo (bem como “maneira vagabunda de aumentar artificialmente a duração do game) mas sim tornam-se quase que um novo jogo “escondido” dentro do teu Arkahm City.

Mas e quanto às recompensas por apanhar esses troféus/solucionar esses enigmas? Bem, para além de ganhar perfis de vários personagens da série, também são liberadas as famosas “tapes” com entrevistas aos super-vilões, modelos em 3D de cada um deles, cenários novos para os desafios de combate ou stealth, além de mais side-missions. Sim, conforme você consegue coletar um número específico de collectables o Charada te desafia a resgatar um dos vários reféns que ele fez em Arkham City. Essas missões de resgate te levam a grandes salas que são elas mesmas o desafio mental que precisa ser solucionado. Algumas das situações que o Charada te apresenta chegam a lembrar a série Saw tamanha a pompa e letalidade das armadilhas encontradas.

Ainda há muita coisa boa para dizer, como o excelente trabalho de dublagem (Mark Hammil novamente mostrando ser um Coringa Módafoca), a maior variedade de batalhas contra chefões (a do Mr. Freeze é bastante criativa), jogar com a Mulher-Gato (as missões dela não são lá grande coisa, além de serem pequenas, mas a personagem em si está muito interessante), e isso que não entrei no mérito da trilha sonora que está belíssima.

O quê importa é que Batman Arkham City é um jogo incrível que talvez seja um tanto prejudicado pela sua falta de foco em certos aspectos, bem como sua ambição ao tentar criar uma abordagem pseudo-Open World desnecessária. Contudo, esses elementos negativos mal conseguem fazer frente a tudo de bom que o jogo tem a oferecer!

Nota: 9.5

Fiquem com um bom video que demonstra a jogabilidade em gameplay, até a próxima

Anúncios
por Silvio Teixeira Postado em Review

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s